CURIOSIDADES|Hamilton Castardo

 Os thrillers jurídicos fascinam, tanto para leitores quanto para autores, ao que parece, por alguns motivos não esclarecidos. Como em uma democracia o Estado pode determinar a um cidadão que preste depoimento? Que ele pague sua dívida? Que alguém fique impedido de ver seus filhos? Que alguém perca sua liberdade? Força com suporte em regras estabelecidas e que nem todos concordam. Em um país que tem pena de morte, será que se alguém, ao nascer, fosse chamado a assinar o contrato, aceitaria? Então para estar obrigado à submissão basta nascer naquele lugar. A literatura dos melhores thrillers jurídicos contém essas indagações como mensagem, ora subliminar ora declarada, normalmente escritos por homens e mulheres com experiência.

Os thrillers jurídicos atraem, também, por que uma parcela relevante da população quer saber sobre o funcionamento da justiça. A supremacia do Estado em ditar a lei e fazer co que sejam cumpridas e os reflexos e influência na vida dos cidadãos é que alimenta a atenção dos leitores para o gênero thriller jurídico.

O thriller jurídico trata das matérias que estão contidas em um tratado acadêmico, na doutrina, na jurisprudência. Nos livros técnicos o conteúdo deles não está disponível para as pessoas que não participam do meio jurídico, como advogados, professores, juízes, promotores etc. Além disso, o vocabulário utilizado nos diplomas é de difícil compreensão.

No thriller jurídico o autor escreve envolvendo o leitor a respeito dos fatos, a lei e a interpretação no julgamento que será dado no desfecho da trama. O mesmo acontece nas outras espécies de romance, por exemplo, um thriller médico, no qual o protagonista e os coadjuvantes explicam um caso médico, iniciando com o momento da descoberta da doença ou lesão causadas por algum motivo e inserindo o leitor nos procedimentos do hospital, procedimento cirúrgico e até a sensação da morte no caso de não ter sucesso a eventual intervenção. Assim, o leitor pode ter a experiência de ser um litigante ou um cirurgião, mesmo que não seja advogado, juiz ou médico e nem saiba sobre direito, doenças ou anatomia humana. Também, há fascínio em saber qual o motivo do Direito ou da justiça não funcionarem em algumas áreas nas relações humanas.



PERGUNTAS:

Como funciona a justiça?
O juiz pode decidir tudo?
O que é igualdade?
É permitido morrer?
É permitido matar?
A argumentação está acima da justiça?