justiça

“A primeira igualdade, é a justiça.”

Victor Hugo 

injustiça

"Uma coisa essencial à justiça que se deve aos outros é fazê-la, prontamente e sem adiamentos; demorá-la é injustiça"

La Bruyère

justiça

Jefferson, Max e Roger discutem sobre a definição de "justiça". Um empresário dialogando com um homem, Max, que não conhece uma vida dura e Roger, um brilhante advogado, que é irmão de Max e filho de Jefferson:

-Sobre o que? – indaga Max.

-O que é justo. Lealdade.

-Ora, papai, quer falar de justiça. Onde está a justiça?

-É o que esperamos encontrar – diz Jefferson

-Ora, a justiça precede o bom.

-Max, você precisa enxergar a realidade, sair do mundo virtual, do mundo do faz-de-conta.

-Papai, a justiça é inerente à realidade, eu sei – diz Max.

-Max, entenda, a sociedade proclama as suas regras. O judiciário interpreta estas regras e decide o que é justo. Tudo é reflexo do extrato de juízos de razoabilidade e plausibilidade.

-O que? Isso é brincadeira. Eu não entendo nada de lei, mas sei que o judiciário condena as pessoas – diz Max.

Roger está sentado. Levanta-se e dá um passo para frente.

-Sim, Max. Veja que tudo que acontece a nossa volta reflete nas instituições que a sociedade estabeleceu. Tudo é filtrado. O resultado final é a compreensão da maioria. A decisão dela. A minoria, Max, tem que se curvar, se submeter – diz Roger, como se fosse um brilhante professor falando aos seus alunos.

-Justiça e liberdade. Ora, Roger, isso é utopia. Falácia acadêmica.

-Não, Max. As pessoas têm poder de escolha. Todos podem alcançar os postos mais altos. Eles estão abertos a todos.

-Ah! Entendi. Oportunidades iguais - diz Max, com leve sorriso.

-Roger tem razão. Todos têm acesso às riquezas, materiais ou espirituais. Estão aí, é só pegá-las – diz Jefferson, intervindo sem muita convicção.

-Sei. A justiça está nas leis – diz Max sem terminar a frase, percebe que está sendo ingênuo.

-Sim, nas leis e também nas decisões do judiciário – diz Roger.

Max está de pé ao lado do sofá, e por um momento pensa que Roger pode ter razão.

-Ora, Roger. O que as pessoas querem é felicidade. A justiça, a moral, o dinheiro, os bens, tudo isso existe para trazer felicidade. Esta é a razão de todas as ações?

-Tudo é possível, Max, sempre respeitada as diferenças entre as pessoas – diz Jefferson. Ele olha atentamente para Max.

-Sim. Felicidade fabricada – diz Roger sorrindo, acenando pela mudança no rumo da conversa. –Veja quantas propagandas lindíssimas que criam necessidades e que nos deixam felizes em realizá-las.

-Roger, a justiça deixa as pessoas felizes? – pergunta Jefferson, pensando que se fosse absolvido seria feliz.

-Sim, e se prolonga pelo prazer de satisfazer o que pensamos que seja certo - diz Max, olhando para um ponto fixo e com vários pensamentos que o satisfazem.

-Então felicidade é prazer? Dinheiro é felicidade? – diz Max.

-Não – diz Roger – há o amor, a amizade e ao respeito conquistado na sociedade. A felicidade deve ser buscada sempre. É um direito de todos.

Jefferson observa os seus meninos conversando. Está infeliz. Perde seu dinheiro, a admiração, o círculo de amigos, a fama, o bom humor, talvez o casamento e a família. Neste momento está infeliz. A dor impera. Tem certeza de que a felicidade não está na dor.

-Então, o que está acontecendo conosco? Isto é justiça? Estou exausto de tanta injustiça – diz Jefferson.

-Coragem papai. A justiça prevalecerá – diz Roger.

-Justiça. Qual justiça? – diz Jefferson

Roger esboça um sorriso e abaixa a cabeça. Sabe que a palavra justiça tem significados diversos.

-A justiça está ligada à sorte. Alguns lutam a vida toda e mal conseguem pagar as contas de sua casa, que às vezes nem é sua propriedade – diz Max.

-Não é bem assim. A oportunidade é para todos. Está escrito na Constituição que todos são iguais – diz Roger.

Max dá uma gargalhada. Balança a cabeça negativamente.

-Certo, Roger. Mas, o que me diz de alguém que nada fez de bom a vida inteira e herda de seu batalhador pai, uma fortuna. É justo? – indaga Max.

-Parem com isso. A justiça não existe. Eu não acredito nela. Nada fiz de errado e estou sendo acusado. Fiscais, policiais, juízes, todos querem me condenar e acabar com o meu dinheiro – diz Jefferson.

Roger se movimenta rapidamente e coloca a mão mo ombro de Jefferson.

-Papai, a justiça pode demorar, mas ela se concretiza. Para isso, precisa mostrar a todos a verdade – diz Roger.

-Qual verdade Roger? O mundo capitalista somente pensa em dinheiro. As coisas e os homens. Os homens e sua busca pela propriedade das coisas – diz Max.

-Max, eu não entendo o seu tom de rebeldia. A igualdade existe sim. A justiça existe sim.

- O que consegui foi com muito trabalho, suor e com o meu tempo. Eu conquistei – diz Jefferson.

-A que preço? É justo explorar um monte de trabalhadores? É justo furtar-se do seio da família para ficar trabalhando? – explode Max.

Jefferson senta-se na ponta do sofá. Os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos fechadas servindo como apoio para o queixo.

-Max, o mundo exige postura – diz Roger.

-O mundo pode ser mudado – diz Max. Ele desvia os olhos e se encaminha para a escada. Roger e Jefferson se entreolham.

a discussão sobre o que é justiça assola os homens há séculos.

O tema é relevante e impera em todos os momentos nas vidas das pessoas. Discute-se sobre a justiça de nascer rico ou pobre, do rico que ficou pobre, daquele que não consegue passar em uma boa escola, ou mesmo qual o motivo de uma decisão no judiciário ser contrário ao interesse de alguém. Nas decisões do Poder Judiciário, via de regra, metade saem vencedores, a outra metade perde.

O tema está longe de ser definido.